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A Importância da Visibilidade das Pessoas com Deficiência

Criado: Segunda, 20 de Março de 2017, 19h18 | Acessos: 347

Por Vera Caroline Gomes Bertoni

Visibilidade não é um assunto incomum nos dias de hoje, normalmente, acompanhada pelos movimentos sociais, esta palavra busca uma equidade entre minorias (muitas vezes oprimidas ou negligenciadas) e a sociedade. Apesar da pressão dos movimentos sociais na busca de maior visibilidade para causas LGBTQIA+, do movimento negro, feminista e das pessoas com deficiência, ainda estão engatinhando nesta importante luta.

Na TV, nos filmes e livros, vemos o aumento de fortes e interessantes personagens que fazem parte dos movimentos ou minorias citadas acima. Parte da pressão do público vem da ideia de que o mundo é muito mais do que apenas pessoas brancas, magras, “perfeitas”, ricas e que é difícil sentir-se representado por pesados padrões de beleza e estética que temos em todos os tipos de mídias. No entanto, dentro de um padrão geral e abrangente, quantos personagens com deficiência vemos nos filmes e nos livros? Quantas pessoas com deficiência são vistas em cargos de modelos, atores/atrizes, diretores de filmes, cantores, músicos etc.? Não muitos e, infelizmente, este padrão de que o mundo foi feito apenas para as pessoas “normais” (não com deficiência) possui um grande impacto na vida dessas pessoas.

Podemos exemplificar a importância da visibilidade para pessoas com deficiência com um caso não muito antigo que aconteceu nos Estados Unidos. Anthony Smith, um garotinho surdo e fã dos heróis em quadrinhos, sempre sonhou em poder ser forte como o Hulk ou mesmo rápido como o Flash. Infelizmente, quando lia as histórias dos seus heróis favoritos, nenhum deles usava aparelhos auditivos igual a ele, o que o fez negligenciar o uso das próteses pois “não existem heróis com deficiência”. Sua mãe então enviou uma carta para os estúdios da Marvel, uma das maiores produtoras de histórias em quadrinhos, e contou sua história, que acabou tornando-se viral quando a editora decidiu lançar um herói surdo que usava aparelhos auditivos, chamado Blue Ear e que lutava contra o crime junto com outros super-heróis importantes como o Homem de Ferro. Por ser surdo, este herói consegue salvar as pessoas em perigo quando está usando suas próteses auditivas azuis! Não sendo então uma surpresa, esse gesto de generosidade fez não só que o pequeno Anthony usasse suas próteses auditivas para “ouvir e salvar as pessoas em perigo” como também influenciou toda a escola do menino, uma instituição para educar crianças com aparelhos auditivos, a criar um evento chamado “Vista-se como um Herói” onde as crianças surdas podiam vestir-se como seus heróis favoritos e ainda sentir-se tão incrível quanto eles, independente da perda auditiva.

Casos como este, mostram que a visibilidade anda lado a lado com a auto aceitação, autoestima e superação de limites. Algumas marcas de brinquedo, inclusive, já lançaram algumas linhas para o público com deficiência infantil como a marca Makies, que desenvolveu bonecas que usam bengalas, óculos ou aparelhos auditivos. No Brasil, também tivemos alguns progressos, como a implementação do Setembro Verde – mês dedicado à inclusão, com objetivo de dar visibilidade a causa. A cor foi escolhida por representar a esperança e renascimento e será marcada para o acontecimento de eventos que buscam dar destaque às pessoas com deficiência sendo então conhecido como o mês oficial da luta pela inclusão da pessoa com deficiência.

Ao dar a chance de trazer visibilidade para a comunidade, portanto, também estamos dando oportunidade para as pessoas com deficiência de nos mostrar o seu mundo e de expor, de uma vez por todas, que a deficiência jamais será uma barreira em seus caminhos. Podemos ser heróis, modelos, presidente da república, astronautas e o que quisermos! O mundo se abre quando nos damos uma chance.

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