Ir direto para menu de acessibilidade.
Página inicial > AÇÕES > REFLEXÕES > O Crescimento da Educação Inclusiva no Brasil
Início do conteúdo da página

O Crescimento da Educação Inclusiva no Brasil

Criado: Quinta, 13 de Julho de 2017, 19h04 | Acessos: 141

Por Vera Caroline (monitora do Nei e estudante de História)

As políticas de educação inclusiva no Brasil parecem ter recebido um boom nos últimos anos. Graças ao empenho de movimentos sociais e também às reações acerca da Conferência Mundial sobre Educação Especial, ocorrido na cidade de Salamanca, na Espanha de 1994, trouxe conceitos inovadores e, de acordo com seu próprio texto, “…proporcionou uma oportunidade única de colocação da educação especial dentro da estrutura de “educação para todos”. Sendo assim, a Declaração de Salamanca foi de extrema importância para ampliar os conceitos das necessidades educacionais especiais, incluindo aqui as pessoas com deficiência.

De acordo com os dados do IBGE, 6,2% da população brasileira tem algum tipo de deficiência. É imprescindível de que todas elas tenham o direito de receber uma educação de qualidade e inclusiva. No que se refere à inclusão na Educação Básica, temos um aumento de 381% na educação inclusiva apenas entre 2003 a 2014. No Ensino Superior a taxa de crescimento é de 475%, uma verdadeira conquista para a acessibilidade das pessoas com deficiência na área da educação.


Para se ter uma ideia desse crescimento, podemos comparar o número de alunos matriculados na educação básica regular e a porcentagem destas pessoas em classes comuns. Em 1998, haviam 200 mil pessoas matriculadas e apenas 13% delas em classe comum. Já em 2014 os números sobem para 900 mil matrículas, onde 74% delas eram em classes comuns. Para Martinha Dutra dos Santos, ex-diretora de Políticas de Educação Especial da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), do Ministério da Educação os números da estrutura de atendimento também cresceram de forma impressionante.
“São 42 mil escolas beneficiadas com salas de recursos multifuncionais; aquisição e disponibilização de 2.307 veículos para transporte escolar acessível em 1.541 municípios; criação de 30 centros de formação de profissionais da educação e atendimento de pessoas com surdez; 55 centros de apoio pedagógico às pessoas com deficiência visual e financiamento de núcleos de acessibilidade nas instituições federais de Nível Superior. ”
De acordo com os dados do MEC (Ministério da Educação), há um aumento significativo no número de professores com formação educacional especial, enquanto em haviam 3.691 docentes com esta formação, os números sobem 198% em 2014 ao conseguir a marca de 97.459 mil docentes. Com os dados do INEP de 2007, sabemos que há 10 mil pessoas com deficiência no ensino superior, marca de 0,15% no total destes alunos.


Entretanto, numa pesquisa feita pelo DataSenado, entrevistando 1.165 pessoas e divididas em três categorias: deficientes físicos, visuais e auditivos, temos uma noção de que, mesmo com estes claros avanços, ainda há um grande sentimento de exclusão e desamparo das pessoas com deficiência no que diz respeito à inclusão escolar. De acordo com a pesquisa:
“ Se pudessem escolher, 69% dos entrevistados optariam por uma classe comum em uma escola regular. Mas as diferenças entre tipos de deficiência ficaram muito claras: para 77% das pessoas com deficiência física, a classe comum em escola regular seria melhor; mas a escolha muda quando são pessoas com deficiência auditiva (58%) e visual (54%). As críticas à falta de capacitação dos professores foram feitas por 38% dos entrevistados (48% entre deficientes auditivos). As instalações físicas não adaptadas foram apontadas por 33% (40% entre os deficientes físicos), ao passo que 21% dos deficientes visuais queixaram-se de material de ensino inadequado. ” (Pesquisa “Condições de vida das pessoas com deficiência no Brasil”, 2010)


Como visto, portanto, as políticas sociais de inclusão na educação, apesar de sua crescente implementação, ainda possuem um grande caminho a percorrer para poder amparar as pessoas com deficiência no Brasil de modo pleno e satisfatório. Ainda sim, podemos crer que este futuro não esteja tão distante e que a exclusão destas pessoas com deficiência dentro das instituições de ensino logo se tornarão atípico e insólito dentro do nosso território brasileiro.

registrado em:
Fim do conteúdo da página