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Surdocegueira

Criado: Sexta, 21 de Julho de 2017, 13h59 | Acessos: 191

Por Letícia Rosa (monitora e estudante de Direito)

A partir da 4ª Palestra do I Ciclo de Palestras do NEI, com o tema: “A surdocegueira e trabalho da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos – MG (FENESIS)” e, a partir dos relatos realizados durante a palestra, ocorreu-me o interesse de discutir a surdocegueira, uma vez que nunca havia tido contato com essa temática e pelos relatos dos palestrantes, Geraldo Magela dos Santos, surdocego, e Marcelo de Oliveira Bleme.

Em primeiro plano, temos que definir o que é a Surdocegueira. Ela é uma deficiência em que há perda total ou parcial da audição e visão simultaneamente. Além disso, a surdocegueira não é a soma das deficiências visual e auditiva é uma doença apenas e pode ou não haver perda total. Quando se discute a perda total e parcial, há uma grande dificuldade para percepção de movimento e do ambiente. Na palestra, Geraldo Magela comenta que precisa de alguma ajuda para reconhecimento de locais que ele não conhece, para pegar o ônibus, para ir à compras, andar a noite e entre outros aspectos.

A maioria das causas da surdocegueira são doenças como: meningite, rubéola materna, complicações devido a prematuridade, danos cerebrais, paralisia cerebral, diabetes, síndrome de Usher (degeneração da retina em função de retinose pigmentar), síndromes genéticas e encefalite estão entre as causas frequentes da surdocegueira e/ou acidente com trauma.

           Não há muitas pesquisas sobre a surdocegueira. São poucos os dados sobre a quantidade e o número de pessoas que participam de tratamentos. Além disso, pela falta de informações o site Acessibilidade Brasil utiliza uma base estatística americana de 2007:

“Por falta de dados censitários e se utilizamos os números americanos (Gallaudet University – Deaf-Blind in USA 2007 ), que estimam que 0,015% da população dos USA é surdo-cega , poderemos estimar para 190 milhões de habitantes do Brasil, cerca de 28.500 são surdos-cegos, sendo que destes cerca de 7.250 são crianças ou adolescentes, isto sem consideramos o aumento dos percentuais, relativos a fatores como ausência de um sistema de saúde de qualidade e a pobreza existente ainda em muitas regiões do País.”

Outro aspecto importante, a partir da palestra do Marcelo Bleme é a linguagem e as tecnologias que os surdocegos utilizam. O que cada um precisa e o que acham mais facilitador. Vou citar com uma pequena explicação sobre como funciona, além disso utilizarei a explicação do site “Olhos da alma”, que é muito parecido com o que o Ricardo Bleme falou na palestra, são esses:

•          Línguas de sinais e intérprete: é o meio de comunicação mais comum utilizado, se a pessoa nasceu surda a primeira língua aprendida é a dos sinais (LIBRAS). Com o campo da visão reduzido o surdocego interpreta os sinais por meio dos movimentos do interprete que por sua vez, faz também um segundo papel: o de guia ou o chamado guia-intérprete, o qual necessita conhecer várias formas de comunicação.

É imprescindível para uma melhor locomoção, que o surdocego passe pelos treinamentos dos Programas de Orientação e Mobilidade (O.M). Treinamentos pelos quais passam pessoas com cegueira congênita ou adquirida, tendo como principal característica o uso da bengala.

•          Braille: é um recurso utilizado pelas pessoas com cegueira para desenvolver a escrita e a leitura pelo tato. Para tanto são usados recursos materiais como: reglete, punção, máquinas braille e soroban.

•          Alfabeto Dacticológico: é o uso do alfabeto manual, em alguns casos, já utilizados pelos surdos. O interlocutor faz a letra na palma da mão da pessoa surdocega. Cada letra corresponde a uma posição dos dedos.

•          Tablitas de comunicação: é um meio de comunicação feito de plástico resistente com letras em relevo, números ordinários e caracteres em braille. A pessoa com surdocegueira, coloca o dedo indicador nas letras estabelecendo a comunicação.

•          Diálogo (fala escrita): consiste na utilização de uma máquina braille, máquina de escrever eletrônica, um gravador e uma linha telefônica. O surdocego escreve na máquina e o texto é impresso, assim, o vidente lê e utiliza a mesma forma para escrever e assim está estabelecida a comunicação.

•          CCTV: é um ampliador de imagens que visa auxiliar a pessoa que tem um resíduo visual muito pobre a ler e escrever, o CCTV amplia em até sessenta vezes o tamanho da figura.

•          Tellethouch – Este aparelho tem teclado de uma máquina braille e um teclado normal. O teclado braille assim como o teclado normal levantam na parte de trás do aparelho uma pequena chapa de metal, a cela braille, uma letra de cada vez. É um dos principais meios de interação do surdocego com outras pessoas. Ao interlocutor do surdocego basta saber ler. Sabendo ler pressionará as teclas normais da tellethouch como se estivesse redigindo um texto escrito qualquer.

•          Letras de forma: Esta é a forma mais simples de comunicação para a pessoa com surdocegeuira. Neste caso, é preciso que o interlocutor saiba as letras maiúsculas do alfabeto. O dedo indicador funciona como uma caneta e o interlocutor escreve na palma da mão do surdocego.

•          Tadoma: Consiste na vibração da fala do interlocutor. A pessoa surdocega, coloca as mãos na face do interlocutor próxima à boca e sente a vibração da fala. É preciso muito treino e prática da pessoa surdocega para estabelecer comunicação utilizando este método.

Este trabalho visa, portanto, esclarecer sobre os surdocegos, como se comunicam, suas dificuldades e as tecnologias assistivas. Além de discutir sobre os preconceitos e luta por mais aceitação. 

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